sexta-feira, 20 de abril de 2007

O Rei dos Leittões!

Vou quebrar um compromisso, comigo próprio, que era o de usar (neste meu Blog) apenas imagens da minha autoria. Mas não resisto, esta imagem que encontrei, algures na NET, é perfeita para prestar uma homenagem ao meu amigo Rei dos Leittões (ver ligações de estimação). Especialista nas novas tecnologias da informação é a ele que me dirijo quando tenho alguma dúvida (e tenho sempre muitas) sobre o funcionamento desta complexa rede que é a NET e em particular sobre a Blogosfera (aproveito, aliás, para agradecer a dica, por ele dada, sobre a instalação de contadores).

No Blog dele aprecio sobretudo o sentido de humor que acompanha as suas crónicas pessoais sobre a vivência diária e simples (mesmo sendo um Rei dos Leittões ele é assim). No entanto deixem-me dizer que o Rei se «algum defeito tem» não é concerteza o de falta de irreverência. Os seus posts, sobre a actualidade da política e sociedade (sobretudo a portuguesa), são suficientemente mordazes e inteligentes para que se lhes preste atenção, ainda que por vezes seja difícil concordar com ele. Quanto à imagem, não tenham dúvidas, coloca-o no devido lugar. Na Blogosfera, entre muitos leittões, ele é mesmo o Rei.Posted by Picasa

segunda-feira, 9 de abril de 2007

Caixas que Resistem!


O primeiro grande passo na história da comunicação foi a criação da linguagem escrita, mas foram necessários milhares de anos para que o homem passasse da fase em que desenhava nas cavernas para a criação de um alfabeto. Na idade média os arautos do rei liam as mensagens em praça pública mas as dificuldades em comunicar com o conjunto da população era enorme. A criação do correio foi por isso um grande progresso e durante muito tempo manteve-se como a forma mais eficaz de vencer distâncias e, ainda hoje, teima em resistir. Entretanto surgiu o telégrafo e depois veio o telefone que matou o telégrafo. Hoje anuncia-se, para breve, o fim do telefone tradicional.

O recurso aos satélites e à informática permitiu criar poderosas redes de telecomunicações que se vão difundindo e aperfeiçoando. A sucessão das inovações não pára e muitas desaparecem num curto espaço de tempo. Um exemplo, o Telex, que nos anos 80 representava um grande avanço foi ultrapassado e desapareceu completamente. Muitas pessoas nunca chegaram a ver nenhum a funcionar. Anunciam-se, para breve, formas de comunicação inimagináveis ainda há pouco tempo mas, com maiores ou menores dificuldades, o correio tradicional vai teimando em resistir.

As fotos que apresento são demonstrativas do declínio do correio tradicional, mas também da sua capacidade de resistência. A foto das caixas de correio dispostas em grelha foi feita numa aldeia do Distrito de Castelo Branco, em 2005. A que apresenta as caixas ferrugentas foi feita o ano passado, no Algarve.
Quanto a mim digo-vos que, embora já receba uma parte significativa do correio por e-mail, quando chego a casa a primeira coisa que faço (sempre) é espreitar a caixa de correio (a tradicional!). Depois, se tiver tempo (e isso nem sempre acontece), é que me disponho a «espreitar» a outra (a virtual!).
Posted by Picasa

terça-feira, 3 de abril de 2007

Grandes Portugueses

O mundo seria um lugar muito diferente sem os contributos individuais de homens como Galileu, Magalhães, Einstein, Picasso, Gandhi, Mandela e muitos outros. A lista é interminável. Eles simbolizam avanços civilizacionais mas não é possível escolher, de entre eles, o grande cidadão do mundo, determinar um cujo contributo tenha sido claramente superior ao dos outros. A civilização é o resultado de um processo histórico colectivo muito complexo. Não é possível desagregar os contributos individuais, por mais originais que sejam; do contexto em que surgiram (das influências de cada época). Ou seja, nenhum dos homens que referi teria sido o que foi sem a herança civilizacional que recebeu e por isso mesmo é impossível diferenciar, distinguir um único. Pelas mesmas razões também não é possível determinar o grande Americano, Francês ou Português.

Vem isto a propósito do resultado do concurso da RTP sobre os grandes portugueses. Antes de mais, diga-se que fosse qual fosse o desfecho, o resultado teria sido sempre controverso. É óbvio que não há apenas um grande português e a haver (goste-se ou não) esse nunca poderia ser Salazar. A escolha de um nome faz-se pela exclusão de outros e um país (uma nação) é o somatório de muitos contributos nos mais diversos domínios (acção governativa, cultura, ciência, economia, política, religião etc.). Por outro lado, o facto da escolha ter sido Salazar (ou terá sido só Sal+Azar?) teve também um efeito perverso. Bastaram uns míseros 65 000 telefonemas (militantes) para se chegar a um resultado que tem tido impactos (divulgação e exposição nacional) completamente desproporcionados. Postas assim as coisas, facilmente se chega à conclusão de que, logo à partida, o facto de não ser possível escolher um nome deveria ter sido suficiente para que gente com responsabilidade (nas mais diversas áreas) recusasse patrocinar o formato do programa. O argumento de que se tratava de um programa (apenas) de entretenimento com uma dimensão pedagógica é muito discutível.

Uma das principais características da humanidade, sem a qual não teriam sido possíveis os avanços civilizacionais, é o reconhecimento do valor essencial do colectivo. Mesmo quando se pretende distinguir cidadãos por contributos sectoriais a tarefa é difícil. Um bom exemplo, dessa dificuldade, ocorre anualmente com a atribuição dos Prémio Nobel. Raramente os resultados são consensuais.

Quando penso em portugueses que foram grandes ocorrem-me nomes como Fernando Pessoa, Pedro Nunes, Orlando Ribeiro ou Amadeo, mas não consigo escolher um. Não sendo praticável escolher o (entre todos) grande português, já me parece possível chegar ao nome do português que melhor simboliza a ideia de Portugal. Um programa formatado na base desta ideia talvez já fosse aceitável mas também pouco provável porque, nesse caso, a resposta (por muitas razões) seria óbvia:

- Camões

Posted by Picasa

domingo, 25 de março de 2007

Festambo de Parabéns

Este é o terceiro ano do FESTAMBO e a Banda de Ourém, enquanto organizadora, está de parabéns.
Parece-me que este foi o melhor dos três festivais e os anteriores já tinham sido interessantes. Creio que o que foi inovador nos espectáculos deste ano, e resultou muito bem, foi conseguir mostrar, de uma forma digna e equilibrada, uma associação das actividades amadoras da Banda de Ourém (âmbito local) com outras profissionais e de âmbito nacional. Assim todos saem a ganhar. Ganham os associados da Banda que frequentam as diversas modalidades ligadas à música e à dança e que com este tipo de interacção se sentem mais estimulados e motivados. Ganham os profissionais que nos visitam (que também têm, e assim cumprem, uma responsabilidade pedagógica) e podem atingir e captar novos públicos. Ganha Ourém que, assim, tem acesso a melhores espectáculos e por via da sua realização se promove regionalmente.

Parabéns à Banda. As boas ideias, sobretudo quando concretizadas, merecem reconhecimento.
P.S.- A imagem que eu publico é de um Festambo anterior. Recomendo que vejam a magnífica imagem do espectáculo de dança, deste ano, publicada no blog A:1:CLIQUE no dia 24 de Março.
Posted by Picasa

sábado, 24 de março de 2007

Os livros e (ou) a vida!


O Centro de Arte Moderna da Gulbenkian exibia, ainda há pouco tempo, esta interessante instalação.

No interior dos muros de livros, em cima e em baixo, estavam colocados espelhos que criavam, em quem entrava, a ilusão de um poço (ou túnel) «infinito» com paredes de livros. A ilusão criada era tão perfeita que vi gente recuar com vertigens. O número de livros usado em tal construção constituía, só por si, uma imagem suficientemente clara (mesmo sem a tal ilusão) para nos consciencializar que a quantidade de livros que nunca teremos tempo de ler é esmagadora.

Para quem gosta de ler a única ideia consoladora é que uma grande parte dos livros constitui «cópias» (quase sempre maçadoras) de coisas que já estavam escritas e são, por isso, dispensáveis. Apesar disso todos sabemos que, para cada um de nós, a quantidade de livros interessantes que existem exigiria um tempo muito superior àquele de que disporíamos, mesmo numa vida muito longa. E a vida é, antes de mais, para ser vivida. Contudo são os livros, os bons livros, que nos lembram constantemente que a verdadeira emoção é a própria vida. E são eles que nos ajudam a criar uma ideia da «medida» com que vivemos essa emoção.

Aqui deixo (sem outros comentários) uma passagem de Joyce sobre a descoberta do amor e da paixão, por parte de um adolescente:

… Em poucos momentos, estava descalço, com as meias dobradas dentro dos bolsos e os sapatos de lona pendurados aos ombros pelos atacadores atados e, arrancando dos detritos em volta dos rochedos um pau aguçado, roído pelo sal, desceu a rampa do molhe.

Havia um longo riacho na praia e, enquanto patinhava, seguindo o seu curso, reparava no número infindável de algas à deriva. Cor de esmeralda, pretas, avermelhadas e cor de azeitona, deslocavam-se por baixo da corrente, ondulando e girando. A água do riacho era escura e interminável e reflectia as nuvens que adejavam no alto. As nuvens pairavam silenciosamente por cima dele e o ar quente e cinzento estava parado e uma nova vida rebelde castava nas suas veias…

… Estava sozinho. Estava livre, feliz e próximo do cerne selvagem da vida. Estava sozinho e jovem e predisposto e rebelde de coração, só, no meio do ar selvagem e das águas salobras, da colheita marinha de conchas e algas e da velada luz cinzenta e de figuras de crianças e raparigas envergando trajos alegres e de cores claras, e de vozes infantis e juvenis que se erguiam no ar.

Viu uma rapariga diante dele, a meio da corrente, só e parada, a olhar para o mar. Parecia ter adquirido, por artes mágicas, semelhanças com uma estranha e bela ave marinha. As suas pernas nuas, longas e esbeltas, eram tão delicadas como as de uma garça, e eram puras, excepto no local onde uma alga cor de esmeralda tinha aderido à sua carne como um sinal. As suas coxas, mais cheias e um tom suave como o do marfim, estavam nuas quase até às ancas, onde as franjas brancas dos calções lembravam uma penugem branca e macia. As saias de um azul de ardósia estavam ousadamente enroladas em volta da cintura, descaindo atrás como a cauda de uma pomba. O seu peito fazia lembrar o de uma ave, macio e leve, leve e macio como o peito de uma rola de plumagem escura. Mas os seus longos cabelos louros eram juvenis, como juvenil era o seu rosto, tocado pela maravilha da beleza mortal.

Estava só e quieta, olhando para o mar; e, quando sentiu a presença dele e a adoração nos seus olhos, voltou os seus para ele, sustentando tranquilamente o seu olhar, sem vergonha e sem malícia. Sustentou o olhar dele durante longo, longo tempo e depois, calmamente, baixou os olhos e fitou a corrente, agitando levemente a água com os pés, para um lado e para o outro. O primeiro ruído suave da água que se agitava quebrou o silêncio, baixo e leve e sussurrante, débil como os chocalhos das ovelhas; para cá e para lá, para cá e para lá; e um leve rubor tremulou no rosto dela.
- Deus do Céu! bradou a alma de Stephen, numa explosão de alegria profana.

Afastou-se subitamente dela e começou a atravessar a praia. Tinha o rosto a arder; todo o seu corpo estava em chamas; os seus membros tremiam. Continuou a caminhar, sempre em frente, pela areia, até muito longe, acompanhando o cântico selvagem do mar, gritando saudações ao advento da vida que chamara por ele.

A imagem dela ficara gravada na sua alma para sempre e palavra alguma quebrara o silêncio sagrado do seu êxtase. Os olhos dela tinham-no chamado e a alma dele repondera ao apelo. Viver, errar, cair, triunfar, recriar a vida a partir da vida! Tinha-lhe aparecido um anjo rebelde, o anjo da juventude e da beleza mortais, um enviado das belas cortes da vida, para lhe abrir, num instante de êxtase, as portas de todos os caminhos do erro e da glória. Sempre em frente, em frente, em frente!

Deteve-se subitamente e escutou o seu coração, no meio do silêncio. Quanto tempo teria caminhado? Que horas seriam?

Não havia pessoa alguma perto dele e o dia parecia desvanecer-se. Voltou para o lado da terra e correu para a margem e, subindo a encosta de areia, sem se preocupar com os seixos cortantes, descobriu um círculo de areia no meio de dunas cobertas de tufos de ervas e aí se estendeu, para que a paz e o silêncio da noite pudessem acalmar a agitação do seu sangue.

Sentia por cima de si a cúpula ampla e indiferente e os calmos movimentos dos corpos celestes; e a terra por baixo dele, a terra de que tinha nascido, acolhera-o no seu seio.

Fechou os olhos no langor do sono. As suas pálpebras estremeceram, como se sentissem o vasto movimento cíclico da terra e dos seus guardiões, estremeceram como se sentissem a luz estranha de um mundo novo.

A sua alma penetrava num mundo novo, fantástico, confuso, indistinto como um mundo submarino, atravessado por formas e seres nebulosos. Um mundo, um clarão ou uma flor? Bruxuleando e tremulando, tremulando e desdobrando-se, uma luz que irrompia, uma flor que nascia, estendia-se numa infindável sucessão si própria, irrompendo, totalmente rubra, e desdobrando-se e desmaiando até ao mais pálido tom rosado, pétala a pétala, onda de luz a onda de luz, inundando os céus com os seus clarões suaves, cada um mais profundo que o anterior.

A noite caíra quando acordou e a areia e as ervas áridas do seu leito já não brilhavam.

Ergueu-se lentamente e, recordando o êxtase do seu sonho, suspirou de alegria.

Subiu à crista da duna e olhou em volta. A noite descera. A orla da lua nova fendia a vastidão pálida do céu, o rebordo de um arco de prata incrustado em areia cinzenta; e a maré avançava rapidamente sobre a terra, com um sussurro baixo das suas ondas, isolando algumas silhuetas atrasadas em poças de água distantes…

Extracto do livro «Retrato do Artista Quando Jovem» (1916), de James Joyce.
(Colecção Mil Folhas, n.º 40, Edição de «O Público», 2003, pp 170, 172)

Posted by Picasa

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007

Alimentação saudável !

Estou a chegar àquela idade em que ouvimos falar constantemente dos benefícios de uma alimentação saudável, da necessidade de uma dieta alimentar correcta, do controlo do colesterol etc. A coisa assume contornos de tal maneira acentuados que chegamos ao ponto de ver o meu amigo «Rei dos Leittões» (escreve-se mesmo com dois tês, ver ligação de estimação aqui ao lado), imagine-se, a fazer dietas.

Contudo, deve reconhecer-se que os benefícios de tais dietas são inegáveis. Fiz esta foto no zoo de Lisboa já em 2003. Consta que o gorila, já bastante idoso, é saudável. Reparem no tipo de alimentação (só vegetais) e no cuidado com a disposição e manipulação dos alimentos! Exemplar meus senhores, exemplar!

Por outro lado (e para quem conhecer) basta olhar para o «Rei dos Leittões» para ver que já está muito mais magro e elegante.Posted by Picasa

A PASSO DE CARACOL !


Esta é uma pequena escultura que fiz há uns tempos e a colocação da foto pretende significar a lentidão com que me estou a ambientar a estas coisas dos blogs. A verdade é que isto exige tempo e eu ainda não domino bem os processos. Para já vou devagarinho, mas não desisto.Posted by Picasa